Culto – O nome de Deus

Culto – O nome de Deus

YHWH – “Eu sou aquele que sou”, o nome de Deus. YHWH (Javé) é o tetragrama que, na Bíblia hebraica, indica o nome próprio de Deus. As quatro letras do alfabeto hebraico que compõem este tetragrama (escritas da direita para a esquerda) são י (yod), ה (he), ו (vav, lido também como waw), e de novo ה (he). Atualmente, a maioria dos estudiosos pensa que a pronúncia original do tetragrama bíblico era “Yahweh”.
A inscrição mais antiga conhecida que contém o tetragrama YHWH é a Pedra Moabita (840 AC), que celebrou a vitória de um rei moabita sobre um rei israelita e o saque de um templo do deus israelita. No entanto, as suas origens podem ser muito mais antigas, remontando à Idade do Ferro e à Idade do Bronze, tendo começado um epíteto de “El”, o principal deus do panteão cananeu da Idade do Bronze.
Na mais antiga literatura bíblica, Javé é um típico “guerreiro divino” do Médio Oriente, que lidera o exército celestial contra os inimigos de Israel. Mais tarde torna-se o principal deus do reino de Israel (Samaria) e da Judeia. Com o passar do tempo, a corte real e o templo promovem Javé a deus de todo o universo, possuindo todas as qualidades positivas anteriormente atribuídas aos outros deuses e deusas. No final do exílio babilónico (século VI a.C.), a própria existência de outros deuses foi negada e Javé passou a ser proclamado como o criador do universo e o verdadeiro deus de todo o mundo, contribuindo assim para solidificar as bases do monoteísmo.
Jesus, em hebraico, diz-se Yeshua e significa “Deus salva”, “Yahweh salva”, ou “Yahweh é salvação” e pode-se ver que contém letras de Yahweh, dado que em hebraico bíblico não se usavam vogais, só consoantes. Além de que o nome de Deus – YHWH – Eu Sou – tinha que ser impronunciável. Na Bíblia, onde se reúne todo o processo ao longo da História em que Deus se dá a conhecer aos homens, até à Sua vinda em Jesus Cristo, Deus diz de Si próprio – “Eu sou aquele que sou”. Jesus vai-se confirmar como sendo Deus ao dizer: Eu Sou o Pão da vida, Eu Sou a Luz do mundo, Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida….
O significado preciso do tetragrama YHWH é objeto de controvérsia entre os especialistas. Tem a forma de um verbo na terceira pessoa masculina do singular. Alguns associam-no a uma raiz semítica que significa soprar e interpretam o nome como indicação do deus da tempestade, mas são mais numerosos aqueles que o associam com o verbo “ser”.
No Livro do Êxodo 3:13-14, há esta passagem da conversa entre Moisés e Deus: “Moisés replicou a Deus: ‘Quando eu for ter com os filhos de Israel, dir-lhes-ei: ‘O Deus dos vossos antepassados enviou-me a vós’; e se eles me perguntarem: ‘Qual é o nome d’Ele?’, o que é que eu vou responder?’ Deus disse a Moisés: ‘Eu sou Aquele que sou’. E continuou: ‘Dirás assim aos filhos de Israel: Eu Sou enviou-me a vós’”. As palavras traduzidas como “Eu sou aquele que sou”, em hebraico אהיה אשׁר אהיה, podem significar também: “Eu sou/serei quem sou/serei”. No hebraico bíblico, os verbos não indicam o tempo gramatical como fazem os verbos portugueses. O que indica o tempo é o aspecto “perfeito” ou “imperfeito”, acabado ou não acabado. O verbo neste versículo da Bíblia tem a forma do aspeto “imperfeito”, podendo ser traduzido igualmente como “ele é” ou “ele será”. Além disso, de acordo com a conjugação usada, pode significar simplesmente “ele é” ou (sentido causativo) “ele faz com que seja”, “ele faz que venha a ser”.
A frase de Éxodo 3:14, “Eu sou aquele que sou” é interpretada na Septuaginta (tradução grega do séc. III AC) como Ἐγώ εἰμι ὁ ὤν (“Eu sou o Existente, Aquele que existe”): interpretação ontológica. Entendida no sentido causativo, a frase significa “Aquele que faz existir”, “o Criador”. A aparente tautologia (“Eu sou/serei quem/o que sou/serei”) pode indicar que Deus se recusa de indicar qualquer nome concreto, visto que Ele está acima do conhecimento humano.