Culto: Simbologia das cores da Quaresma

Culto: Simbologia das cores da Quaresma

Os primeiros cristãos não usavam cores precisas para as celebrações. A primeira vez que se refere uma cor usada especificamente na celebração é num escrito do sec. IV que diz que os sacerdotes usavam uma veste cândida para celebrar a Ceia do Senhor. De facto, o branco sempre foi a cor preferencial da liturgia por fazer lembrar a veste dos mártires (cf. Ap 6, 11), a virtude da pureza e a santidade de vida e costumes. A partir do sec. IX começou-se a usar outras cores e somente em 1173 o Papa Inocêncio III define o cânone das cores litúrgicas. São Pio V, em 1570, define que na liturgia se podiam usar somente o branco, o vermelho, o verde, o preto, o roxo e o rosa com normas fixas acerca dos dias específicos para cada cor.
O roxo passou a ser, então, a cor predominante na Quaresma. Usa-se esta cor todos os dias da Quaresma, exceto no quarto domingo e nas solenidades, que normalmente acontecem neste tempo – São José e a Anunciação do Senhor.
Não é fácil saber os motivos da escolha do roxo para os tempos de penitência e de luto, mas a mais provável é ser uma influência dos romanos, que usavam esta cor para um antigo ritual de expiação das más ações, o ver sacrum. É também usado por ser uma cor sóbria, que não chama à atenção, como deve ser o tempo da Quaresma.
No quarto domingo da Quaresma, a liturgia veste-se duma cor diferente: o rosa. Isto acontece porque aquele domingo é uma espécie de suspensão durante a Quaresma. A Igreja diz-nos com isso que ainda não é Páscoa, mas quase… o rosa, de facto, é a mistura do roxo (da penitência quaresmal) como branco (da festa pascal).
Ainda relativamente à cor roxa, a da Quaresma e do Advento não devem ser iguais. Infelizmente já se perdeu este uso na liturgia. O roxo do Advento é mais claro, mais vivo, a fugir até para o azul pois o Advento não é um tempo penitencial, mas de esperança. O roxo da Quaresma deve ser escuro, sóbrio, a fugir para o preto pois significa mesmo a penitência, a dor e o luto.
Há ainda outras cores associadas popularmente à Páscoa, como o amarelo e dourado que simbolizam o retorno do sol e os antigos cultos à renovação da Primavera. Num contexto mais religioso o dourado representa a alegria, a vitória ou o triunfo.
Apesar de não ser uma cor muito comum nas decorações de Páscoa, esta tem ainda uma grande importância numa das mais importantes datas religiosas de Abril: o Domingo de Ramos. Esta data celebra a entrada triunfal de Cristo em Jerusalém. A cor vermelha simboliza o seu sangue e o seu sacrifício.