Culto: Porque não se poder comer carne às sextas-feiras?

Culto: Porque não se poder comer carne às sextas-feiras?

Trata‑se de concretizar, com uma prática, o espírito de penitência, de conversão, de renúncia ao mal e adesão ao bem. Este gesto penitencial da tradição da Igreja poderá ser substituído «pela privação de outros alimentos e bebidas, sobretudo mais requintados e dispendiosos ou de especial preferência de cada um»; também pela oração, pela esmola ou outra obra de renúncia e caridade, segundo as normas da Conferência Episcopal Portuguesa (1985.01.28). Porquê às sextas‑feiras e não noutro dia de semana? Para ser um gesto comunitário de penitência, de conversão, tinha de se escolher um dia, e a sexta-feira é o dia em que Jesus Cristo entregou a sua vida numa cruz para a salvação da humanidade.
O quarto preceito da Igreja: jejuar e abster-se de carne quando manda a Santa Madre Igreja, manda que os fiéis se abstenham de carne na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa; e que se abstenham de carne em todas as sextas-feiras do ano. Esta abstinência pode ser comutada por outra obra pia, a juízo do Bispo Diocesano.
O jejum consiste em tomar uma só refeição, durante o dia, e em não comer coisas proibidas. “Nos dias de jejum, a Igreja permite ainda uma pequena parva pela manhã, e uma ligeira refeição à noite, ou, então, cerca do meio-dia, quando se deixa para a tarde a refeição maior”.
O jejum serve para dispor melhor os fiéis para a oração, para fazer penitência dos pecados cometidos, e para os preservar de cometer outros novos. São obrigados a jejuar todos os cristãos, desde os vinte e um anos completos até aos sessenta começados, se não estão dispensados ou escusados por legítimo impedimento.
Na Bíblia jejuns religiosos são comuns, tanto entre profetas quanto entre devotos judeus e cristãos. O jejum com duração de três dias é frequentemente mencionado na Bíblia.
Uma das figuras bíblicas que jejuou por três dias foi São Paulo, antes chamado Saulo, após ficar cego com a visão de Jesus. Após os três dias de jejum ele recuperaria a visão.
Pintura: A conversão de S. Paulo, Nicolas Bernard Lépicié, 1767