Paço Episcopal e Seminário da Guarda

Paço Episcopal e Seminário da Guarda

O conjunto arquitectónico formado pelo antigo Paço Episcopal (residência de Inverno dos Bispos) e Seminário da Guarda começou a ser construído no início do século XVII, por vontade do Bispo D. Nuno de Noronha. A estes dois edifícios, veio reunir-se, já no século XIX, a capela, completando assim a sua tripla vocação – habitação, ensino e culto.

Inserido no Estilo Chão, exibe fachadas de grande austeridade, despojadas de quaisquer elementos decorativos, à exceção da cornija, onde se inserem típicas gárgulas de canhão.

Trata-se de um amplo conjunto arquitetónico, de planta em U, no centro do qual foi construída a Capela do Paço Episcopal, ladeada a sul pelo corpo do antigo Seminário onde se encontra instalado o Museu da Guarda, e a norte o antigo Paço Episcopal, atual Paço da Cultura.Muito embora a coerência arquitectónica permita classificar o conjunto como uma obra unitária, são visíveis as diferenças motivadas não apenas pelas várias campanhas de obras ao longo do século XVIII, mas também pelas mais recentes readaptações e reconversões.

Actualmente, e desde 1985, encontra-se instalado no edifício do Seminário e em parte do espaço do antigo Paço, o Museu da Guarda. Em 1996, o Paço foi cedido à Câmara, transformando-se então num local cultural denominado Paço da Cultura, complementado pelo Museu de Arte Sacra, que deveria ser instalado na capela. Edificado em plena época de domínio filipino, este conjunto arquitectónico reflecte as tendências construtivas contra reformistas, caracterizando-se pelo despojamento e austeridade patentes nas fachadas de granito, raramente decoradas.

Neste edifício, tal como em muitos outros casos existentes na Beira Alta, “é visível um processo de depuração formal, distante das correntes maneiristas e manifesto num equilíbrio entre o emprego de elementos eruditos e o apego a uma linguagem vincadamente vernacular” (CONCEIÇÃO, 1997, p. 22). Apenas os vãos centrais, de acesso aos pátios, apresentam arcos de volta perfeita, num conjunto onde a decoração, de linguagem barroca, é praticamente ausente, e circunscrita a ornamentações pontuais, às armas do bispo e aos elementos patentes nas inscrições no portal principal e no cunhal da fachada. Esta arquitectura, que “(…) valoriza os elementos construtivos segundo uma poética de contenção decorativa” (PEREIRA, 1995, p. 52), verifica-se num dos outros edifícios construídos no século XVII, o solar da família Alarcão.