O equinócio da Primavera, a simbologia dos ovos e do coelho de Páscoa e a antiga deusa nórdica da fertilidade

O equinócio da Primavera, a simbologia dos ovos e do coelho de Páscoa e a antiga deusa nórdica da fertilidade

Este ano de 2021 o Equinócio da Primavera ocorreu hoje, dia 20 de março às 09:37 horas.. Este instante marca o início da Primavera Astronómica no Hemisfério Norte. Esta estação prolonga-se até ao próximo Solstício que ocorre no dia 21 de junho .

Os equinócios ocorrem duas vezes por ano, na primavera e no outono, nas datas em que o dia e a noite têm igual duração. A partir daqui até ao início do outono, o comprimento do dia passa a ser maior do que a duração da noite, já que o Sol percorre um arco mais longo e mais alto no céu, atingindo uma altura máxima no início do Solstício de Verão. É exatamente o oposto no Hemisfério Sul, onde o dia 20 de março marca o início do Equinócio de Outono.

Desde tempos remotos o Equinócio é encarado como um momento de sagração da Primavera e de renovação, ou ressurreição da natureza. Há na relação do homem com estes ciclos solares uma forte ligação entre os ciclos agrícolas e o domínio do sobrenatural, ou se quisermos, do sagrado.

O culto da Primavera é comum a mitologias do mundo inteiro. Um arquétipo que depois foi adaptado ou sincretizado pelas principais religiões, incluindo a católica ou a judaica. O termo “Páscoa” tem uma origem religiosa que vem do latim Pascae. Na Grécia Antiga, este termo também é encontrado como Paska. Porém sua origem mais remota é entre os hebreus, onde aparece o termo Pesach, cujo significado é passagem.Entre os judeus, esta data assume um significado muito importante, pois marca o êxodo deste povo do Egito, por volta de 1250 a.C.

Esta história encontra-se no Antigo Testamento da Bíblia, no livro Êxodo. A Páscoa Judaica também está relacionada com a passagem dos hebreus pelo Mar Vermelho, onde liderados por Moisés, fugiram do Egito. Nesta data, os judeus fazem e comem o matzá (pão sem fermento) para lembrar a rápida fuga do Egito, tão rápida que não deu tempo para fermentar o pão.

Entre os povos da antiguidade, o fim do inverno e o começo da primavera era de extrema importância.

Nesse período, muitos desses povos realizavam rituais de adoração à deusa Eostre ou Ostera, a deusa da fertilidade e do renascimento. Em suas representações mais comuns, observamos esta deusa pagã representada na figura de uma mulher que observava um coelho saltitante enquanto segurava um ovo nas mãos.

Nesta imagem há a conjunção de três símbolos – a mulher, o ovo e o coelho – que reforçavam o ideal de fertilidade comemorado entre os pagãos. “As novas religiões monoteístas alicerçaram-se sobre as ruínas das crenças antigas e, por cima dos antigos santuários pagãos ergueram-se as novas catedrais românicas e góticas.

Da mesma forma que, sobre as ruínas dos velhos castros foram construídos os castelos medievais. E, assim, também as celebrações pagãs se revestiram de novas formas mais de acordo com novas conceções religiosas e se cristianizaram, adquirindo uma nova simbologia e significação.”, explica Carlos Gomes, especialista em tradições religiosas portuguesas.

Subsistem, no entanto, antigos usos que denunciam as origens pagãs da festividade pascal associadas a costumes importados da cultura anglo-saxónica que, “em contacto com as tradições judaico-cristãs originam um sincretismo que conferem à celebração pascal uma conceção religiosa bastante heterodoxa”, prossegue o mesmo autor. É o que se verifica, nomeadamente, com toda a simbologia associada ao coelho e aos ovos da Páscoa, sejam eles apresentados sob a forma de chocolate, introduzidos nos folares ou escondidos no jardim, rituais estes ligados à veneração praticada pelos nórdicos a Ostera, considerada a deusa da fertilidade e do renascimento, por assim dizer a “deusa da aurora”.Em todos os casos, tais celebrações indiciam o culto solar, desde o Solstício de Inverno – Natale Solis Invicti – até à festividade do Equinócio da Primavera que assinala o nascimento do novo ano solar.Posteriormente, a Igreja Católica inseriu em suas comemorações religiosas a Páscoa, absorvendo muitos dos costumes das festividades pagãs de Ostera. Podemos perceber isso pelo próprio nome da Páscoa em inglês, Easter, muito semelhante a Eostre.

Pintura: “A Primavera” de Sandro Botticelli