“Verónica, a Sexta Estação”

“Verónica, a Sexta Estação”

Que fascínio é este que exerce o mito de Verónica? A mulher que, durante o percurso da Via Sacra até ao calvário, limpou o rosto de cristo com um pano que ficou milagrosamente gravado a sangue serve de inspiração ao projeto de criação da Quadragésima de 2016: “Verónica, a Sexta Estação”.

 

Acompanhamos Esperanza Mara, jovem criadora e música espanhola, no seu processo de construção do espetáculo: testemunhamos o seu encontro com Maria Pereira (Pêro Viseu), Helena Nunes (Telhado), Anabela Fians (Fatela) e Ana Mendes (Capinha), quatro mulheres que há anos interpretam “Verónica” nas apresentações quaresmais das suas aldeias; assistimos ao processo de impressão da gravura do Santo Sudário, e a muitos outros momentos em que tradição e criação se encontram. E fica a certeza: o mito de Verónica vive ainda.

Conta Esperanza:

Será que realmente existiu na vida de Jesus Cristo ou foi uma invenção a posteriori?

Nada do que veremos hoje aqui é real, mas sim uma invenção baseada numa tradição que ainda hoje vive entre nós. Teremos o privilegio de ouvir algumas “Verónicas” que conservam a sabedoria dos anciães. Estas Verónicas distribuídas na Igreja à imagem da região representam a tradição da sua própria aldeia e serão envolvidas de passagens musicais que imprimem a mesma dor que ela canta. 

Os elementos desde o início do espetáculo remetem-nos à representação da tradição religiosa que envolve à Verónica. A componente celestial ou que atinge à religião, forma parte da escolha das peças musicais. A harpa, com forma triangular, simboliza a numerologia que encerra o número três assim como também está ligada na mitologia aos ciclos: ao nascimento e morte dos processos naturais. A nossa harpista, chamada Verónica representará o inicio e fim da nossa  viagem. 

 

Esperanza Mara: Direcção e criação artística, voz e viola de gamba

Veronica Febbi: Harpa

Miguel Angel Fraile: Instrumentos de sopro

Tiago Soares: Percussão

Verónicas: Ana Maria Pereira (Capinha), Maria Pereira (Pêro Viseu), Anabela Fians (Fatela), Maria Helena Nunes (Telhado) 

Agradecimentos: Padre Casimiro, Higino Serra da Cruz, Louis F. Dow

Apoio: Salvado & Matos, Rádio Cova da Beira e Fitecom