Maria, mãe dolorosa

Maria, mãe dolorosa

Nossa Senhora das Dores ou ‘Mater Dolorosa’ (Mãe Dolorosa) é um dos vários títulos que a Virgem Maria recebeu ao longo da história. Este título em particular refere-se às sete dores que Nossa Senhora sofreu ao longo de sua vida, principalmente nos momentos da Paixão de Cristo. Ficou na história como símbolo máximo das penas que as mães suportam pelos filhos e da força que as impele a permaneceram de pé, mesmo na hora mais cruel da história, como sucedeu a Maria.

É com uma face de dor e sofrimento que Nossa Senhora das Dores é comumente representada, usualmente com sete espadas ferindo seu imaculado coração, embora às vezes só uma represente todas as dores que Ela sofreu. É também representada com uma expressão sofrida diante da Cruz, contemplando o filho morto. Esta imagem deu origem ao hino medieval ‘Stabat Mater Dolorosa’ – Estava a Mãe Dolorosa (ver mais abaixo). É ainda representada segurando Jesus morto nos braços, depois de seu corpo ser descido da Cruz, o que inspirou a famosa escultura de Miguel Ângelo, Pietá.

Foi aos pés da Cruz que Maria viveu a sua dor mais excruciante, mas também a mais fundamental, quando recebeu do Filho a missão de ser a Mãe de todos homens, Mãe da Igreja (Corpo Místico), Mãe de todos os fiéis. Foi naquele momento de dor que Jesus lhe disse: “Mãe, eis aí o teu filho (este filho simboliza todos os fiéis)”. Foi nesse mesmo momento que Jesus disse a São João, que Maria a todos perfilhava: “Filho, eis aí tua mãe”. É por isso que a devoção a Nossa Senhora das Dores se reveste de grande importância para todos os cristãos.

As dores que Nossa Senhora sofre durante a Paixão de Cristo são as seguintes:

– O encontro de Maria e Jesus a caminho do Calvário

– O sofrimento e morte de Jesus na Cruz

– Maria recebe o corpo do filho tirado da Cruz

– O sepultamento de Jesus no Santo Sepulcro

A devoção à Mater Dolorosa teve início em 1221, no Mosteiro de Schönau, na Alemanha. A festa de Nossa Senhora das Dores como hoje a conhecemos, celebrada em 15 de setembro, teve início em Florença, na Itália, no ano de 1239 através da Ordem dos Servos de Maria, uma ordem profundamente mariana.

“Stabat Mater Dolorosa” (A mãe dolorosa permanecia em pé) é um dos hinos espirituais mais pungentes da Idade Média. Composto no século XIII, o poema medita sobre a dor de Maria ao pé da cruz, durante o sacrifício do filho Jesus no Calvário. Não há certeza sobre a autoria do hino, que pode ter sido escrito pelo Papa Inocêncio III, ou pelo frade franciscano Jacopone da Todi.

Em vários lugares do mundo cristão, durante a Via Crúcis rezada na Quaresma, as estrofes do “Stabat Mater” costumam ser cantadas de duas em duas durante a passagem de uma estação para a outra.

De pé, a mãe dolorosa junto da cruz, lacrimosa, via o filho que pendia

Na sua alma agoniada enterrou-se a dura espada de uma antiga profecia

Oh! Quão triste e quão aflita entre todas, Mãe bendita, que só tinha aquele Filho

Quanta angústia não sentia, Mãe piedosa quando via as penas do Filho seu!

Quem não chora vendo isso: contemplando a Mãe de Cristo num suplício tão enorme?

Quem haverá que resista se a Mãe assim se contrista padecendo com seu Filho?

Por culpa de sua gente, viu Jesus inocente ao flagelo submetido

Vê agora o seu amado pelo Pai abandonado, entregando seu espírito

Faze, ó Mãe, fonte de amor que eu sinta o espinho da dor para contigo chorar

Faze arder meu coração do Cristo Deus na paixão para que o possa agradar

Ó Santa Mãe, dá-me isto: trazer as chagas de Cristo gravadas no coração

Do teu filho que, por mim, entrega-se à morte assim, divide as penas comigo

Oh, dá-me, enquanto viver, com Cristo compadecer chorando sempre contigo

Junto à cruz eu quero estar, quero o meu pranto juntar às lágrimas que derramas

Virgem, que às virgens aclara, não sejas comigo avara: dá-me contigo chorar

Traga em mim do Cristo a morte, da Paixão seja consorte, suas chagas celebrando

Por elas seja eu rasgado, pela cruz inebriado, pelo sangue de teu Filho!

No Julgamento consegue que às chamas não seja entregue quem por ti é defendido

Quando eu do mundo partir, dai-me, ó Cristo, conseguir por vossa Mãe a vitória

Quando meu corpo morrer, possa a alma merecer do Reino Celeste a glória. Amém.